CIDADES

 

SALVADOR

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o projeto

Entre os dias 18 a 23 de março de 2019 as atividades do projeto Mulheres do Paraguaçu acontecerão no Espaço Cultural Alagados, no bairro do Uruguai, Península de Itapagipe, Salvador - Bahia. Iremos realizar a Oficina de Criação de Histórias e Bordados, a Oficina de Empreendedorismo e a Apresentação de Contação de Histórias com o intuito de celebrar o Dia da Mulher e o Dia das Contadoras de Histórias, comemorados no dia 8 e 23 de março, respectivamente. E, dessa vez, contamos com o apoio do Espaço Cultural Alagados e da Rede Reprotai e com o financiamento do Edital Arte Todo Dia - Ano IV, da Fundação Gregório de Mattos, Prefeitura de Salvador.

Itapagipe adaptado do Itapéjype, é um nome de origem indígena, que quer dizer pedra que avança para o mar, as primeiras pessoas a habitarem os espaços foram grupos indígenas das tribos Tupinambá. Com a chegada dos portugueses no continente, estes invadiram a península onde houve batalhas, indígenas resistiram bravamente, mas foram derrotados pelos brancos e expulsos do seu território. Os novos habitantes eram pescadores, que viviam da riqueza e diversidade natural local, as primeiras casas eram cobertas de palmeiras e ficavam à beira mar ou até mesmo dentro da floresta peninsular.

Em 1549, ao mesmo tempo que a cidade de Salvador era construída, Garcia D’Ávila cria o primeiro curral bovino em Itapagipe, começando o maior latifúndio que se tem notícia de todo mundo, chegando até as terras maranhenses. Em meados do século XX o local se tornou atrativo turístico para a cidade de Salvador. Em 1940 as autoridades locais decidem fazer de Itapagipe um pólo industrial na cidade, e com a chegada das grandes fábricas, também houve recepção de muita gente na esperança de ser mão de obra das empresas que estavam a chegar, e assim ter salários e sustento para as famílias.

 

Houve uma grande ocupação e aterro que deram início aos bairros de Alagados, Uruguai, Jardim Cruzeiro, Massaranduba, Mares, Calçada, Enseada dos Tainheiros, São Caetano, e Roma. Uma movimentação intensa de chegadas de famílias principalmente do Recôncavo Baiano, que não tendo onde morar, construíram uma espécie de moradia que avançava a maré, as palafitas. Essas palafitas foram instaladas na região dos mangues na Enseada dos Tainheiros, e ficou conhecida como Alagados. Aos poucos o manguezal foi sendo aterrado, principalmente pelo lixo vindo de toda cidade. A situação era de pobreza extrema. Durante a noite a marinha retirava as palafitas, e durante o dia as famílias reerguiam. Uma luta social que durou anos, e que resultou no aterramento usando área das praias próximas, diminuindo as moradias alagadiças, construindo ruas e avenidas.

O Espaço Cultural Alagados é um local de resistência das diversas linguagens artísticas locais. Foi inaugurado em 1989 e está no fim de Linha do Uruguai, mais precisamente na Rua Direita do Uruguai. Sua coordenadora Jamira Muniz comanda uma equipe de jovens produtores culturais que contribuem para a salvaguarda e formação cultural local. É o único equipamento público de toda a península e atende todas as faixas etárias.

O LOCAL
Texto: Anna Luisa Santos

MARAGOGIPE

 

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O projeto Mulheres do Paraguaçu foi realizado na cidade de Maragogipe entre os dias 17 a 28 de setembro de 2018, na Casa de Cultura de Maragogipe e na Fundação Vovó do Mangue. Lá, realizamos a Oficina de Contação de Histórias, a Oficina de Bordado, a Oficina de Audiovisual, a Assessoria em Captação de Recurso para Mulheres Empreendedoras e a Apresentação de Contação de Histórias. Contamos com o apoio das instituições que cediaram as atividades e, através do Edital Territórios Culturais - 2018, contamos com o apoio financeiro do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.

Maragogipe é uma pontinha do Recôncavo Baiano que abraça o mar, a cidade é banhada com o encontro das águas doces do Rio Paraguaçu e das águas salgadas da Baía de Todos os Santos.  Lá, então enraizados o saber ancestral das paneleiras do vilarejo de Coqueiros, que utilizam uma técnica única de queima do barro; assim como também as caretas que animam e festejam o Carnaval local, ambas atividades são patrimônio imaterial da cidade de Maragogipe e do estado da Bahia.

A população tem uma forte devoção a São Bartolomeu, festejado em agosto com diversas manifestações culturais locais, entre elas a Regata Aratu e, com isso, o Cais do Cajá – local turístico de Maragogipe – fica repleto de velas coloridas que competem entre si.

Maragogipe foi habitada inicialmente pelos indígenas Maragós, porém, após o processo de colonização, os exploradores chegaram e a transformam numa cidade de estilo colonial que foi desmembrada de Jaguaripe em 1693. A economia local girava em torno, principalmente, do cultivo de fumo e de cana de açúcar, bem como da construção de engenhos e fábricas de charuto, sendo a mais famosa e duradoura a Charutaria Dannemann.

Hoje, ao caminhar pela cidade, podemos observar marcas da colonização em sua arquitetura e em seu modo de viver. As vendas ainda são pequenas e embrulham o pão em papel com barbante. Em todas as esquinas recebemos um bom dia, nas mesas os frutos do mar estão em fartura, as mulheres pescadoras estão na água e na terra, pescando, cozinhando e empreendendo.

o projeto
O LOCAL
Texto: Anna Luisa Santos

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